Presidentes do Brasil: saiba quem são os mais e os menos populares desde 1990


Carlos Neto
Carlos Neto
Cientista Social

Desde as primeiras eleições diretas após a redemocratização, 6 presidentes passaram pelo Palácio do Planalto, embora nem todos tenham concluído seu mandato. Alguns, como Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e Luís Inácio Lula da Silva ficaram 8 anos no cargo.

De qualquer forma, tendo ficado muito ou pouco tempo tempo, todos eles foram avaliados pela população brasileira no momento de passar o bastão para o mandatário seguinte. Alguns saíram com a popularidade lá em cima. Outros lá embaixo...

Você sabe quais são os presidentes mais populares? E os menos populares?

Para poder confrontar desempenhos, só utilizamos as taxas de aprovação referentes ao final do período em que cada um dos presidentes ocupou o cargo. Por isso o atual presidente, Jair Bolsonaro, não entra na lista.

Todos os dados são do instituto de pesquisa Datafolha.

6º Michel Temer

Michel Temer

7% ótimo/bom, 29% regular, 62% ruim/péssimo e 2% não souberam responder.

Ficou pouco mais de dois anos no cargo: de 31 de agosto de 2016 a 31 de dezembro de 2018. É verdade que pegou o país em crise (política e econômica), após o impeachment da presidenta Dilma Roussef. Mas as medidas na área econômica, em especial a reforma trabalhista e a PEC 55 (conhecida como PEC dos gastos), não surtiram os efeitos prometidos.

Prejudicou ainda mais a avaliação do seu curto governo o envolvimento do nome dele e de seus ministros em denúncias de escândalos de corrupção.

5º Fernando Collor

Fernando Collor

9% ótimo/bom, 21% regular, 68% ruim/péssimo e 2% não souberam responder.

O primeiro presidente eleito desde 1960 não terminou o seu mandato. Aliás, um mandato que começou com uma expectativa enorme: antes da posse, 71% mostravam-se otimistas com o futuro do governo. Em 1992, quando renunciou, só 9% consideravam seu governo ótimo ou bom.

Medidas ineficazes no combate à inflação, articulação ruim no Congresso e escândalos de corrupção foram alguns dos fatores determinantes para o fim da Era Collor.

4º Dilma Rousseff

Dilma Roussef

13% ótimo/bom, 24% regular, 63% ruim/péssimo.

De janeiro de 2011, quando Dilma toma posse, a abril de 2016, quando é afastada do cargo, sua popularidade oscilou bastante. No final do seu primeiro mandato, por exemplo, 42% achavam seu governo ótimo ou bom. Esse número chegou a 64% em 2012.

Quando foi afastada, somente 13% dos brasileiros prestigiavam seu governo.

A grave crise econômica (com PIB em baixa e desemprego em alta) foi fator decisivo para a queda da popularidade de Dilma. O escândalo de corrupção na Petrobrás (o Petrolão) também é responsável pela piora da imagem do governo perante a opinião pública.

3º Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso

26% ótimo/bom, 36% regular, 36% ruim/péssimo e 2% não souberam responder.

Tal como Dilma, FHC terminou seu primeiro mandato com números melhores do que quando saiu. Em dezembro de 1998, 35% dos brasileiros aprovavam seu governo e 25% reprovavam. O cenário praticamente se inverteu quatro anos depois.

Mas, ainda assim, esses 26% de aprovação garantem o 3º lugar a FHC, principal responsável por conter a hiperinflação enquanto ainda era ministro de Itamar Franco.

Mas as consequências econômicas negativas da desvalorização do real e a crise energética contribuíram para que no final da Era FHC houvesse uma queda na popularidade do governo.

2º Itamar Franco

Itamar Franco

41% ótimo/bom, 48% regular, 8% ruim/péssimo e 4% não souberam responder.

O sucesso da popularidade de Itamar se deve, em grande medida, ao sucesso do Plano Real, articulado pelo então Ministro da Fazenda FHC.

A hiperinflação era o terror dos brasileiros desde a década de 80. Por isso, o presidente que realizasse a façanha de controlar a subida dos preços com certeza ficaria bem aos olhos do povo. E foi o que aconteceu.

A taxa de rejeição ao governo Itamar Franco chegou a 41% em novembro de 1993. Pouco mais de um ano depois, após a medida provisória que instituiu o Plano Real, esse número caiu 8%.

Esse cenário amplamente favorável foi determinante para a vitória de FHC em 1994, com praticamente o dobro dos votos do segundo colocado, Luís Inácio Lula da Silva.

1º Luís Inácio Lula da Silva

Luís Inácio Lula da Silva

83% ótimo/bom, 13% regular e 4% ruim/péssimo.

Lula terminou seu ciclo de oito anos na presidência da República com aprovação recorde.

Em dezembro de 2002, às vésperas de assumir o cargo, as expectativas já eram altas: 76% dos brasileiros acreditavam que o seu governo seria ótimo ou bom. Os números mostram, portanto, que Lula conseguiu superar as expectativas, feito só conquistado até então por Itamar Franco.

E a que se deve tamanha popularidade? Dentre os principais fatores, a manutenção da estabilidade econômica, a elevação do PIB, a diminuição considerável do desemprego e o êxito de políticas sociais, como o Bolsa Família, no combate à desigualdade e à pobreza.

O pior momento da Era Lula no que diz respeito à popularidade foi em 2005, ano em que veio à tona o escândalo de compra de apoio parlamentar conhecido como Mensalão. Em dezembro de 2005, o índice de rejeição foi a 29%, número superior àqueles que aprovavam o governo (28%).

No ano seguinte, a popularidade de Lula voltou a subir. Tanto que conseguiu a reeleição.

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Carlos Neto
Carlos Neto
Formado em Ciências Sociais (FFLCH-USP), Carlos faz mestrado em Estudos Portugueses, com especialização em Literatura Portuguesa Contemporânea. É escritor e dá aulas de Redação e Sociologia na Educação Básica desde 2007.