As 20 obras de arte mais caras da história!


Ana Laura Cruz
Ana Laura Cruz
Mestre em Gestão e Estudos da Cultura

Não é de se admirar que os grandes nomes da pintura possuam os trabalhos mais valorizados no mercado das artes. Através de leilões e compras privadas, algumas obras de arte bateram recordes como as peças mais caras vendidas.

Listamos aqui as 20 obras de arte vendidas pelos preços mais altos da história. Vale lembrar que os valores estão em dólares e desconsideram a inflação. Também que algumas das obras mais famosas nem sequer podem entrar para a lista porque simplesmente não têm preço, como é o caso da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci ou As Meninas, de Diego Velázquez.

20. O Grito

Artista: Edvard Munch

Ano da Obra: 1895

Ano da Venda: 2012

Preço: U$119.9 milhões

Negociação: Leilão

o grito

Talvez esta seja a obra mais emblemática da lista. Sem dúvidas é o trabalho mais marcante e conhecido de Edvard Munch. Como o artista criou quatro versões para o mesmo quadro, a que foi adquirida em 2012 por Leon Black é a versão criada por último. A principal delas está na Galeria Nacional da Noruega, em Oslo. No entanto, esta é a única que possui o poema que inspirou o quadro pintado na moldura.

19. Otahi (Sozinha)

Artista: Paul Gauguin

Ano da Obra: 1893

Ano da Venda: 2013

Preço: U$ 120 milhões

Negociação: Venda privada

otahi

Esta pintura faz parte de um grande grupo de trabalhos de Gauguin representando mulheres taitianas. Nela é possível identificar o estilo próprio do pintor. Uma curiosidade sobre a venda é que anos mais tarde, em 2017, o dono da obra, Dmitry Rybolovlev vendeu-a por cerca de U$ 50 milhões. Uma perda e tanto de negócio.

18. Retrato de Adele Bloch-Bauer I

Artista: Gustav Klimt

Ano da Obra: 1907

Ano da Venda: 2006

Preço: U$ 135 milhões

Negociação: Venda privada

adele bloch bauer i

Gustav Klimt produziu dois retratos da senhora Adele Bloch-Bauer que se encontram nesta lista. Os dois foram roubados por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, posteriormente entregues à Galeria Belvedere em Vienna e, somente em 2006, retornaram ao poder da família Bloch-Bauer. Rapidamente foram postos no mercado e, atualmente, este retrato se encontra em exposição na Neue Galerie em Nova York.

17. Mulher III

Artista: Willem de Kooning

Ano da Obra: 1953

Ano da Venda: 2006

Preço: U$ 137.5 milhões

Negociação: Venda privada

mulher iii

Adquirida pelo bilionário Steven A. Cohen, conhecido por deter a maior coleção privada de obras de arte, esta pintura esteve exposta no Museu de Arte Contemporânea de Teerã até acontecer a Revolução Iraniana em 1979. Sob o novo regime, a obra foi considerada obscena e retirada do museu.

16. Número 5, 1948

Artista: Jackson Pollock

Ano da Obra: 1948

Ano da Venda: 2006

Preço: U$ 140 milhões

Negociação: Venda privada

numero 5

Pollock é conhecido pela sua técnica singular de gotejamento, algo aparentemente simples, mas que representa todo o caos do artista. Pollock foi um dos artistas mais reconhecidos em seu próprio tempo e, no caso desta obra, foi vendida em vida para Alfonso A. Ossorio e, após algum tempo, precisou de reparos. As mudanças feitas por Pollock agradaram ainda mais o comprador da época e, de certeza, ao comprador atual, que até hoje permanece anônimo.

15. Três Estudos de Lucian Freud

Artista: Francis Bacon

Ano da Obra: 1969

Ano da Venda: 2013

Preço: U$ 142.4 milhões

Negociação: Leilão

3 lucian freud

Uma peça estranhamente bela, ou melhor, três. Francis Bacon pintou o amigo e rival Lucian Freud seguindo o estilo de pintura figurativa estilizada e com um toque de grotesco que lhe era peculiar. A obra foi arrematada por Elaine Wynn, ex-mulher do magnata dos cassinos, Steve Wynn, em um leilão que bateu recordes na época.

14. Retrato de Adele Bloch-Bauer II

Artista: Gustav Klimt

Ano da Obra: 1912

Ano da Venda: 2016

Preço: U$ 150 milhões

Negociação: Venda privada

adele bloch bauer ii

O segundo retrato da senhora Adele Bloch-Bauer pintado por Gustav Klimt, mencionado no item 18, e que foi saqueado por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar do primeiro retrato apresentado (item 18) ser considerado o mais famoso, este foi mais caro. A compradora foi Oprah Winfrey, mas a obra já foi revendida para um comprador anônimo na China.

13. Le Rêve (O Sonho)

Artista: Pablo Picasso

Ano da Obra: 1932

Ano da Venda: 2013

Preço: U$ 155 milhões

Negociação: Venda privada

le reve

Esta famosa obra de Pablo Picasso é sobrevivente de uma tragédia, quase cômica, do mercado de artes. Dois grandes colecionadores de artes, já mencionados aqui, estavam negociando-a em 2006. Steve Wynn, o magnata dos cassinos, se preparava para vendê-la a Steven A. Cohen, o bilionário com a maior coleção pessoal de obras. Porém, enquanto se gabava da venda para um grupo de amigos, o próprio Steve Wynn danificou o quadro com o cotovelo, encerrando por ali o negócio. O obra por fim foi restaurada, mas quem não gostaria de ser uma mosca para estar naquela sala e ver a cena com os próprios olhos?

12. Nu couché - sur le côté gauche (Nu deitado - no lado esquerdo)

Artista: Amedeo Modigliani

Ano da Obra: 1917

Ano da Venda: 2018

Preço: U$ 157.2 milhões

Negociação: Leilão

nu couche sur le cote

A mais recente obra a entrar para este ranking de vendas mais altas. Mesmo assim, não atingiu o valor esperado no leilão da Sothesby's. Há quem diga que a propaganda sobre a obra estava um tanto exagerada demais, quase tentando vender gato por lebre… O fato é que esta é uma obra diferenciada dos nus pintados pelo artista, o único deles que traz a modelo de corpo inteiro. Só aí já se vê um motivo para valorizar a obra de uma forma especial.

11. Masterpiece (Obra-Prima)

Artista: Roy Lichtenstein

Ano da Obra: 1962

Ano da Venda: 2017

Preço: U$ 165 milhões

Negociação: Venda privada

masterpiece

Adquirido por ninguém menos do que Steven A. Cohen, este quadro de Roy Lichtenstein do movimento pop art e inspirado em histórias em quadrinhos e é um celebração do pintor à própria carreira. Talvez um momento de vaidade, mas não há como negar que a arte e a soberba andam um pouco de mãos dadas.

10. Nu couché (Nu deitado)

Artista: Amedeo Modigliani

Ano da Obra: 1917/18

Ano da Venda: 2015

Preço: U$ 170.4 milhões

Negociação: Leilão

nu couche

A obra mais famosa de Amedeo Modigliani causou grande rebuliço quando foi exibida pela primeira vez no início do século XX, sendo considerada obscena. Quando foi comprada pelo bilionário chinês Liu Yiqian causou outro, mas desta vez pela enorme quantidade de dinheiro envolvido.

9. Les Femmes d' Alger / Version O (As Mulheres da Argélia / Versão O)

Artista: Pablo Picasso

Ano da Obra: 1955

Ano da Venda: 2015

Preço: U$ 179.4 milhões

Negociação: Leilão

femme dalger

Picasso pintou uma série com 15 quadros intituladas Les Femmes d' Alger, todas inspiradas no quadro de Eugène Delacroix Mulheres de Argélia em seu apartamento. As versões de Picasso prestam homenagens a alguns dos artistas admirados pelo pintor, entre eles, Matisse e Renoir. A série inteira fazia parte da coleção do casal Victor e Sally Ganz desde 1956. Posteriormente venderam 10 telas para a Galeria Saidenberg. As versões C, H, K, M e O continuaram em posse da família. Em 2015 a versão O, a última a ser pintada, foi vendida em leilão para Hamad bin Jassim bin Jaber Al Thani, o antigo primeiro-ministro do Qatar.

8. Retratos de Maerten Soolmans e Oopjen Coppit

Artista: Rembrandt van Rijn

Ano da Obra: 1634

Ano da Venda: 2015

Preço: U$ 180 milhões

Negociação: Venda privada

martenoopjen

Criadas pela ocasião do casamento do casal, todos os museólogos e especialistas de Arte hão de concordar que as obras devem ser penduradas juntas. Compradas em conjunto pelo Louvre, em Paris, e pelo Rijksmuseum, em Amsterdã, os dois museus revezam-se na exibição dos quadros.

7. Wasserschlangen II (Cobras D’Água II)

Artista: Gustav Klimt

Ano da Obra: 1904/07

Ano da Venda: 2012

Preço: U$ 183.8 milhões

Negociação: Venda privada

Wasserschlangen II

Outra obra da Fase Dourada de Klimt que atingiu os recordes do Mercado das Artes. Um trabalho meticuloso e delicado que foi adquirido pelo bilionário russo Dmitry Rybolovlev, junto de outras obras de alto valor de artistas como Gauguin e Rodin. Estas negociações ficaram famosas devido ao escândalo Bouvier Affair que envolveu o russo e o negociador de artes Yves Bouvier. Este, ao invés de intermediar a compra e ganhar a sua comissão, comprava as obras dos vendedores originais e depois vendia-as para os seus clientes com o valor superfaturado.

6. No. 6 (Violeta, Verde e Vermelho)

Artista: Mark Rothko

Ano da Obra: 1951

Ano da Venda: 2014

Preço: U$ 186 milhões

Negociação: Venda privada

numero 6

Este quadro também esteve envolvido no escândalo Bouvier Affair descrito no item anterior e foi comprado pelo mesmo bilionário russo, Dmitry Rybolovlev. É possível que hoje a obra seja mais conhecida pelo caso do que pela criação do artista Mark Rothko, mesmo assim é um trabalho primoroso de um estilo que, por si só, costuma causar divergências de opiniões, já que nem todo mundo se agrada pelo estilo expressionista abstrato do artista.

5. Número 17A

Artista: Jackson Pollock

Ano da Obra: 1948

Ano da Venda: 2015

Preço: U$ 200 milhões

Negociação: Venda privada

numero 17

Jackson Pollock é sem sombra de dúvidas o maior nome do movimento expressionista. Criador de um estilo próprio, o gotejamento, as suas obras podem não agradar a todos, mas são bastante valorizadas. Esta tela foi o seu trabalho que atingiu o maior preço de venda e foi comprada por Kenneth C. Griffin, o executivo-chefe da multinacional Citadel.

4. Nafea Faa Ipoipo (Quando você casa?)

Artista: Paul Gauguin

Ano da Obra: 1892

Ano da Venda: 2015

Preço: U$ 210 milhões

Negociação: Venda privada

nafea paa ipoipo

Gauguin foi ao Taiti em busca de um paraíso hedonista, encontrou uma ilha desolada pela colonização. Mesmo assim, ele retratou a beleza das mulheres taitianas e, apesar de na época não ter o trabalho reconhecido, hoje esta “coleção” é celebrada e é pelo que se tornou mais lembrado. Em 2015, o quadro foi comprado por Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani, a presidente da Autoridade Museológica do Qatar e a pessoa mais influente no mercado das artes, segundo o ArtReview's Power 100.

3. Les Joueurs de cartes (Os Jogadores de Cartas)

Artista: Paul Cézanne

Ano da Obra: 1892/93

Ano da Venda: 2011

Preço: estimado entre U$ 250 e U$ 300 milhões

Negociação: Venda privada

les joueurs de cartes

Cézanne fez cinco versões do quadro Os Jogadores de Cartas, esta é a quinta versão e foi adquirida pela família real do Qatar em uma compra histórica da qual pode-se apenas estimar o valor pago, já que os números reais nunca foram divulgados.

2. Interchange (Intercâmbio)

Artista: Willem de Kooning

Ano da Obra: 1955

Ano da Venda: 2015

Preço: U$ 300 milhões

Negociação: Venda privada

interchange

Esta pintura expressionista-abstrata à óleo criada por Willem de Kooning marca a mudança de estilo do artista sob influências do colega Franz Kline. Marca também o recorde de preço pago por uma pintura contemporânea. Comprada por Kenneth C. Griffin no mesmo pacote de aquisição do quadro Número 17A, de Jackson Pollock, o que revela também o gosto de Griffin por arte contemporânea.

1. Salvator Mundi

Artista: Leonardo da Vinci

Ano da Obra: 1500 (aprox.)

Ano da Venda: 2017

Preço: U$ 450.3 milhões

Negociação: Leilão

salvator mundi

Esta é a única obra de Leonardo da Vinci a percorrer o mercado das artes em coleções privadas, as demais estão todas em museus ou igrejas. Obviamente, o preço por ela estará sempre nas alturas! O quadro esteve perdido entre 1763 até 1900 e chegou-se a pensar que era uma obra de Bernardino Luini, um dos seguidores de Leonardo. Mas em 2011 confirmou-se a autenticidade da obra e, em 2017, foi arrematada em leilão pelo príncipe Badr bin Abdullah bin Mohammed bin Farhan Al Saud, o Ministro da Cultura da Arábia Saudita. O quadro estará em exibição no Louvre Abu Dhabi, mas ainda não há datas definidas para o início da exposição.

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Ana Laura Cruz
Ana Laura Cruz
Mestre em Gestão e Estudos da Cultura, especializada em Comunicação Audiovisual desde 2009. Produz textos e eventos culturais. Viaja no mundo e na maionese, sempre que possível de carona.